Festa poética
Resolvi comemorar 30 anos de uma forma diferente. A comemoração do término da terceira década de existência e o início da quarta teria que ser especial e marcante. Já fiz festas em casa onde as pessoas acabavam mesmo assistindo TV. Em outras, com música alta, muito álcool e pouca interação. Em outras, dominó, cerveja e futebol. Queria algo realmente melhor que isso. Então, tome poesia.
Bolamos um recital poético. Cada pessoa se levantava e recitava o poema que bem desejasse. Pensei que não fosse durar tanto, mas foi mais de 1 hora nesse ritmo, pessoa a pessoa, recitando poesias.
Foi uma experiência também antropológica. É surreal imaginar jovens, todos na faixa dos 30 e poucos para baixo, recitando poesias e, mais grave que isso, escutando uns aos outros recitarem poesia. Somos de uma geração que não sabe escutar os outros, justo o contrário, nossa geração se destaca pela vontade de falar o tempo todo mesmo sem ter o que dizer – vide redes sociais. E, para minha alegria e surpresa, a idéia do recital foi um sucesso.
Claro, algumas pessoas já conhecem e curtem poesias. Essas se divertiam lendo seus poemas preferidos em voz alta. Eu incluso. Para quem ainda não tem o hábito da poesia, foi uma experiência e tanto escutar nomes como Gullar, Cunha Melo, Drummond, Vinícius, Miró, e seus poemas na boca de amigos. E também ler poemas escolhidos ali na hora, bateu na página e leu.
Acho que vou querer fazer 30 anos de novo.