Category: Biblioteconomia


Bibliotecas digitais abrem seus acervos

November 9th, 2009 — 3:59pm

Jornal Correio da Paraíba, 08-11-09, Renata Escarião

Bibliotecas digitais abrem seus acervos

Dos tabletes de argila e pedra ao ciberespaço. Ao longo dos séculos a humanidade buscou as mais diversas maneiras de registrar, armazenar e transmitir idéias e sentimentos. Capaz de transformar mundos, a palavra escrita fez morada nos mais diversos suportes e atravessou o tempo resistindo a guerras, perseguições e transformações tecnológicas.

Templos de sabedoria foram erguidos para proteger tantas vozes. Numa história que antecede a do próprio do livro, as bibliotecas atravessaram o tempo e hoje encaram mais uma transformação: a sua configuração no espaço virtual.

No Brasil, instituições públicas têm encabeçado o processo de digitalização de bibliotecas e detêm, no país, os maiores acervos disponibilizados na rede. Um exemplo é a Biblioteca Nacional Digital (bndigital.bn.br), da Fundação Biblioteca Nacional, que possui o maior acervo digital do país com 14.300 itens entre livros, músicas, mapas, fotografias, arquivos sonoros, manuscritos, gravuras e obras raras. A Paraíba também tem destaque entre os links nacionais, com a Biblioteca Digital Paulo Freire, desenvolvida na UFPB e que reúne as principais obras de um dos maiores educadores do país.

Existe uma diferenciação conceitual entre os termos biblioteca digital e biblioteca virtual. No entanto, o que está no centro das discussões trazidas pela transferência e produção de livros para a rede mundial de computadores é a democratização do acesso e o desaparecimento do livro tradicional.

Segundo o biblioteconomista e mestrando em Ciência da Informação, Gustavo Henn, o processo começou bem antes do que pensamos. Já no século passado, Paul Otlet, considerado um dos pais da ciência da informação, sugeriu a microfilmagem, que transformava as obras em negativos e assim facilitava sua preservação e reprodução. A meta ambiciosa de Otlet era criar uma biblioteca central mundial de documentação jurídica, social e cultural.

No encontro anual de 1936, a American Library Association endossou o uso das microformas, mas já antes dessa aceitação oficial foram usadas entre 1927 e 1935 na Biblioteca do Congresso, que microfilmou mais de três milhões de páginas de livros e manuscritos da Biblioteca Britânica.

O processo avançou com o passar dos anos e hoje acessar conteúdos bibliográficos via internet se tornou algo comum e com promessas de muitos avanços. Gustavo Henn lembra que inclusive o acelerado avanço tem despertado grandes ambições, como a do Google Books de digitalizar todos os livros do mundo.

Para o biblioteconomista, as bibliotecas digitais promovem um acesso interessante a obras internacionais que não estão disponíveis no país ou aquelas cujas edições já se esgotaram. Ela acredita que o processo de digitalização é inevitável e avança numa velocidade assustadora, mas não acha que a procura pelo livro tradicional vai desaparecer da vida dos leitores. “As novas gerações já estão aprendendo a ler no computador. Se hoje é incômodo para nós fazer leituras longas na tela do computador, para meus filhos, que hoje são pequenos, não será problema. De todo modo, acredito que vai haver uma conivência entre as duas leituras. A digitalização ou o surgimento do livro eletrônico não acabam com o livro tradicional”, opinou Gustavo.

Biblioteca Nacional Digital possui maior acervo digital do país

A Biblioteca Nacional Digital (bndigital.bn.br), da Fundação Biblioteca Nacional, possui o maior acervo digital do país com produções que estão em domínio público. São 14.300 itens entre livros, músicas, mapas, fotografias, arquivos sonoros, manuscritos, gravuras e obras raras. Segundo Vinícius Martins, integrante da equipe da Biblioteca Nacional Digital, atualmente os documentos sonoros lideram os números do acervo com mais de quatro mil itens. Entre o material estão 2.700 são fotografias, 2.200 desenhos, 1.500 gravuras, 70 livros raros, 135 outros livros.

Vinícius explicou que quando foi criada, em 2005, a biblioteca deu prioridade ao material iconográfico e por isso não possui um grande número de livros. Quem lidera a oferta de livros na rede é o Portal Domínio Público (www.dominiopublico.gov.br), biblioteca digital do governo brasileiro que foi lançada em 2004 com um acervo inicial de 500 obras. O portal tem como principal objetivo promover o amplo acesso às obras literárias, artísticas e científicas – na forma de textos, sons, imagens e vídeos – já em domínio público ou que tenham a sua divulgação devidamente autorizada.

Algumas instituições também mantêm seus acervos disponibilizados na internet, como é o caso na Universidade Federal de Minas Gerais com a Biblioteca Digital Brasileira de Computação (BDBComp); da Universidade Federal de Santa Catarina com a biblioteca do Núcleo de Pesquisa em informática literatura e lingüística. Ainda temos a Biblioteca Digital da Universidade Estadual de Campinas, a Biblioteca Virtual – Brasil Escola, a da Fundação Joaquim Nabuco, a Biblioteca Virtual em Saúde, entre outras.

Na Paraíba a Biblioteca Digital Paulo Freire (BDPF) (www.paulofreire.ufpb.br) tem destaque nacional. Criada em 2000 na Universidade Federal da Paraíba, a BDPF tem por objetivo principal disponibilizar pressupostos filosóficos, sociológicos e pedagógicos do pensamento freireano. Foi digitalizado o acervo de Paulo Freire no intuito de disponibilizar o acesso mais amplo possível a estes documentos via web.

Na biblioteca podem ser encontrados livros, discursos, cartas e textos didáticos produzidos pelo autor, assim como materiais produzidos sobre ele.

Professor de literatura

Como um verdadeiro agente de viagens para mundos desconhecidos sem sair do lugar, o livro é bem mais que um conjunto de palavras. Na concepção do professor de literatura Rosenberg Frazão, o processo de leitura envolve uma concepção lúdica que tem no manuseio do livro, seu cheiro e textura valores simbólicos na relação com leitor. “Com a digitalização esses detalhes desaparecem, e isso pra mim faz uma grande diferença. No entanto, temos que admitir que para as gerações futuros isso não será problema”, disse o professor.

Para Rosenberg, os livros digitais não têm a mesma portabilidade que o tradicional (mesmo com o livro eletrônico recém desenvolvido), sem falar nas possibilidades de alteração do conteúdo e em uma democratização do acesso, segundo ele, meio fajuta. “Claro que permite um acesso mais fácil a certas obras, mas para determinado público. Para se ter acesso ao material digitalizado é preciso ter um computador, o que não é a realidade de muitos brasileiros. Aliás, nem saber ler não é para todos no Brasil”.

Pela experiência de 11 anos em sala de aula, o professor divide os estudantes em três grupos. Segundo ele, a grande maioria não se interessa pela leitura. Um segundo grupo, um pouco menor, faz parte da geração mergulhada no mundo em rede e acessa textos e obras mais pela internet. O terceiro grupo, minoria mais ainda número considerável, é composto pelos que gostam de ler e ainda preferem o livro tradicional.

Rosenberg acredita que ainda vai demorar para que o conteúdo eletrônico supere o impresso, mas sabe que o processo é inevitável e reconhece suas vantagens. “Há que se ter cuidado para não tornar a leitura um ato mecânico, fragmentado e sem profundidade”, concluiu o professor.

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A Coletora Mascarada

August 19th, 2009 — 11:04pm

Untitled from gustavohenn on Vimeo.

E mais

Untitled from gustavohenn on Vimeo.

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Caneta da New York Public Library

July 1st, 2009 — 12:34pm

Meu pai que trouxe de lá. Um dia eu conheço. Bela caneta. E é uma prova de que a Biblioteca NY é também um ponto que recebe visita de turistas, tanto que vendem este souvenir.

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Quantas bibliotecas fazem isso aqui no Brasil? Ou melhor, quantos brasileiros visitam bibliotecas em sua visitas? Tipo, você vai em Recife dá uma passada na Biblioteca Pública de Pernambuco?

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O fim do livro

June 28th, 2009 — 11:56pm

O fim do livro
Gustavo Henn – Bibliotecário

O ano de 2009 ficará marcado para sempre na vida daqueles que se cercam pela palavra escrita, de escritores a bibliófilos. De jornalistas a editores. Dois gadgets, produtos tecnológicos, foram lançados pelo maior site de comércio eletrônico no mundo, o Amazon.com, prometendo substituir de vez a leitura em papel. Trata-se do Kindle 2, lançado em fevereiro, e do Kindle DX, lançado em maio. O primeiro é a versão melhorada do original, lançado em 2007, voltado para livros. O segundo, com dimensões um pouco maiores, tem foco em jornais e trabalhos acadêmicos como Teses e Dissertações.

As vantagens desses aparelhos são inúmeras, anunciadas aos quatro ventos com fortes campanhas de marketing. As principais são a capacidade para armazenar cerca de 1.500 livros e a autonomia de bateria de mais de 24 horas. Mas, perto de um livro impresso, não parecem ser tão vantajosas assim. Vejamos. A capacidade de armazenar 1.500 livros é excelente. Nos EUA muitas pessoas estão descartando os livros quenão leem e só entulham em casa – se for fazer isso, doe para a biblioteca da comunidade mais próxima – mas antes salvam uma cópia no Kindle. O lado cômico disso é que se os livros não eram lidos antes, também não serão lidos apenas por terem ido parar no Kindle. Logo, trata-se de um embuste para aqueles que acreditam no acúmulo de livros como sinal de conhecimento.

Carregar 1.500 mp3 em um Ipod é uma vantagem, especialmente para aquelas viagens longas de 4 ou 5 horas, em que a variedade de músicas afasta o tédio. No entanto, em 4 ou 5 horas só é possível ler 1 ou 2 livros, no máximo. Assim, não faz sentido andar com 1.500 livros se você só vai ler mesmo 1 ou 2. O peso do Kindle pode até ser menor do que o peso de um livro. Mas um livro se joga em qualquer lugar, só não pode jogar no fogo. Já o Kindle, não. Torça para nunca dar uma queda em um, pode danificar a tela de cristal líquido ou, pior, os circuitos. E, claro, jamais esqueça seu Kindle em sofás, cadeiras, camas. Alguém pode sentar em cima de sua biblioteca inteira e destruí-la para sempre.

A autonomia da bateria é uma vantagem, mas ser atrapalhado com os avisos de que a bateria está acabando ou ter que se preocupar em encontrar um ponto de energia quando você poderia ler o diálogo final entre Jean Valjean e Javert, por exemplo, não é nada bom. Uma dica: quando for ler Os Miseráveis, de Victor Hugo, prefira o impresso ou não desligue o Kindle da tomada.

O fato é que para um suporte substituir outro, como ocorreu quando o papel substituiu o couro na fabricação de livros, é preciso que o novo ofereça vantagens inalcançáveis pelo suporte antigo. E as vantagens que o Kindle, ou qualquer outro suporte digital, oferece atualmente, não fazem mais do que um livro impresso. Para vingar, é preciso que o ebook ofereça uma nova experiência com a informação.

original: http://www.jornalonorte.com.br/2009/06/28/opiniao.php

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